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| View of the Sea – Boat at the Sea (around 1850) - Jules Louis Philippe Coignet |
Ao mar
Do silêncio que anseio
A tensão na expectativa
Com a orla parada
Vão mortas as ondas
Na brisa oscilante, o frio
Das tábuas no cais da ilha
Só rangem os ossos
E voa a linha ao mar
Num desses acidentes fortuitos do destino, providos pela incessante busca por novos ares, desviamos na estrada rodeada de mapa até cairmos na Cananéia, de referência histórica. Pequena cidade, bares à beira mar na orla curta que liga à Ilha Comprida; não se ouvia o som do mar, e poucas ondas batiam contra o cais e a calçada. Um vento frio soprava sobre nossos corpos cansados das longas horas na estrada. Para dentro do mar, barcos flutuavam na escuridão negra, impenetrável, como corpos estelares vagando no abismo do espaço - não há diferença entre o cosmos e a escuridão salgada do mar, indiferentes e letais.
