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Professor João e as oficinas de literatura inacabáveis

 Inacabável é uma excelente palavra feia.

30 de Outubro de 2024 do ano de nosso senhor Nicholas Cage. Cá estamos nós em outra postagem deste blog sofrível mantido através apenas da minha vontade de procrastinar outras demandas e assassinar meu tempo nas filas de espera espalhadas pelo mundo. 

Dessa vez, novidades alegres! (Sim, consigo ver seu olhar cínico daqui)

Finalizei as 12 oficinas de literatura no PEMSE, instituto de medidas socioeducativas onde comecei a ministrar tarefas de leitura e escrita com os jovens do local. Tive uma dúzia de encontros, que começaram em Junho, e se esticaram até o dia 29 de Outubro de 2024 de nosso senhor Nicholas Cage. As oficinas, no geral, trabalhavam com a leitura e interpretação de algum texto. Inicialmente, tive certa resistência por parte dos participantes, que me olhavam desconfiados como se eu fosse oferecer, por trás da literatura, algo ainda mais desagradável, como uma aula de português.

Na semana de lançamento do meu livro, eles receberam as primeiras unidades e ficaram mais animados ao saberem que seriam os primeiros a ter contato com a obra. Daí para frente, foram boas semanas de aulas e conversas. Na terça-feira anterior a esta publicação, dia 29 de Outubro etc etc., fizemos um sarau na instituição para celebrar o final das atividades e para que os rapazes entendessem que sim, os artesanatos que produzem em suas outras oficinas e aulas são também arte. 

Relato até aqui muito sóbrio e normal, guardarei detalhes para a privacidade de minhas amizades. 

Verdade seja dita, foi muito interessante ver o projeto começar, crescer e tomar forma, bem como ver quais estratégias de ensino e engajamento funcionavam com os jovens. Tive oficinas muito boas, tive oficinas terríveis. Todo adolescente acorda de manhã e joga uma moeda para o alto, decidindo se irá colaborar ou não. 

As primeiras seis aulas, focaram na leitura e interpretação de letras de música, já que havia uma grande deficiência na alfabetização de alguns dos participantes, bem como igual rejeição à ideia de uma oficina voltada para leitura e escrita (adolescentes...). A colaboração nessa etapa foi mista. Não fossem apresentadas músicas interessantes e com as quais os jovens se identificassem, eu não retinha a atenção da turma. Após as primeiras aulas, com a chegada dos livros, focamos na leitura dos contos, em ordem de leitura básica, com algumas explicações sobre a história, ideia por trás da criação da narrativa etc. À partir daí o engajamento foi sempre positivo, apesar de um ou outro estar sempre sem colaborar. 

Gostaria de voltar com outra oficina, ano que vem, de forma que fique economicamente viável. As idas ao bairro Granjas Betânia, cruzando toda a cidade, furioso em meu Novo Uno 2011 apelidado de Totoro por mim mesmo, foram dispendiosas em gasolina e em tempo.

Apesar de tudo, a ideia de compartilhar um pouco do meu amor pela literatura, independentemente do resultado, foi prazerosa. 

Falo mais com vocês outro dia. Até lá!

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