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Aventuras de um ranzinza no universo acadêmico

 Assim como um assassino que jura não voltar a esse mundo violento, mas precisa fazer um último trabalho para se aposentar permanentemente, eu voltei a estudar. Meu destino não é tão trágico quanto o de John Wick, embora minha atitude seja até mais sombria que a do personagem interpretado por Keanu Reeves. O problema principal é lidar com uma rotina já atribulada (ou a ausência da mesma) enquanto navego minha vida marcada por crises na coluna, problemas de saúde e uma preocupação financeira que beira a compulsão na contagem dos centavos - eu tenho uma planilha especial em que registro todos os ganhos e gastos mensalmente, realizando uma previsão sempre parcialmente assertiva, mas muito alarmista. Esses prólogos no blog são uma diversão à parte para mim: gosto de exibir e me aprofundar nas minhas neuroses sem de fato dizer nada relevante - é como eu escrevia, originalmente, no meu finado blog Sala do Coala (não pesquise): um fluxo de consciência em um rio de piadinhas e ansiedades que deságua em terra árida digital. 

Vamos ao assunto de hoje.

A rotina de final de semestre de um estudante de primeiro período merece um documentário no Discovery Channel, cujo fim filosófico ocorreu anos atrás, quando deixaram de lado as produções sobre vida selvagem para se dedicar aos hábitos estranhos da população estadunidense e vez ou outra algum especial sensacionalista sobre tubarões. Professores cujo pagamento mensal está na casa dos dez mil reais líquidos (alguns, o dobro disso), dotados de uma pedagogia que pressupõem baseada em Paulo Freire ou outro método inovador e didático, esquecem-se que não há maior morte para a teoria que a prática. E dá-lhe trabalho de final de semestre sem considerar que parte dos estudantes não vive apenas de, pasmem!, estudar. Verdade seja dita, meus colegas de sala em sua grande maioria não parecem sequer estudar de fato sendo isso o mínimo que deveriam executar. 

Cinismo meu à parte, o final do primeiro semestre é sempre um divisor de águas, alguns, aqui, finalmente entendem que não estão mais na escola. Outros, infelizmente, tem uma percepção mais demorada, e adiam para os próximos semestres a percepção de que, sim, estão se tornando adultos e responsáveis por suas decisões. Entre as exigências das atividades práticas que apenas serviram para me elucidar como sou na verdade um sujeito teórico e teria aproveitado mais as matérias entregando artigos e relatórios, produzi algumas peças.

Não são peças relevantes, nem mesmo me orgulho plenamente delas. Isso é parte do processo criativo. Mas algumas coisas ficaram sim, modéstia à parte, legais. 

O blog de hoje era apenas um enorme prelúdio para exibir essas produções.

A seguir, algumas ilustrações feitas para a matéria de Linguagem Visual.



E agora alguns dípticos para a matéria de Fotografia 1.







Essas imagens foram vandalizadas pela Casa da Gráfica no fotolivro final que precisei apresentar. O problema, como reforço aqui novamente, é que a teoria é sempre assassinada pela prática.

Até o próximo post!

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