- Gerar link
- X
- Outros aplicativos
Ar esfumaçado, dias intranquilos, agosto foi um mês difícil mesmo com o lançamento do livro. Na faculdade, uma turma muito mais jovem que eu navega em um ritmo distinto, eu já me sinto deslocado, não sou velho demais, mas estou correndo em outra via. O fim do Twitter pelas mãos de um bilionário imbecil - deveria me importar? Com o que me importar? O lamento desses jovens companheiros de turmas me parece vão, superficial, sinto-me cínico em relação a eles - que importa se sua série favorita tem um personagem com as cores da Bolívia? Todas as perguntas carregadas de pesar. Morreu em mim mais um pouco do meu interesse pelo mundo real, e o metafísico tampouco me agrada. Estudar é contraproducente no capitalismo, eu me lembro que deveria estar fazendo dinheiro, já diriam os americanos, make money. Sem tempo para ler, sem tempo para escrever, sem tempo para criar, só tenho tempo para produzir mais lixo eletrônico - e meus bicos de trabalho me dão mais custos que ganhos. Venderão meus livros o suficiente? Seria mais fácil ter uma editora e não me preocupar com isso, mas tenho tempo para procurar uma editora? Minha falta de tempo é desorganização ou é inevitável?
As palavras digitais são fantasmas, ecos das palavras de verdade. Apenas no papel persiste a verdade e isto aqui mais parece com os delírios de um louco, os surtos de um Ghoul com problemas de coluna e calvície. Até logo e que os céus clareiem sob uma brisa fria, a última dessa era.