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crônicas rápidas de dispositivo móvil

Ar esfumaçado, dias intranquilos, agosto foi um mês difícil mesmo com o lançamento do livro. Na faculdade, uma turma muito mais jovem que eu navega em um ritmo distinto, eu já me sinto deslocado, não sou velho demais, mas estou correndo em outra via. O fim do Twitter pelas mãos de um bilionário imbecil - deveria me importar? Com o que me importar? O lamento desses jovens companheiros de turmas me parece vão, superficial, sinto-me cínico em relação a eles - que importa se sua série favorita tem um personagem com as cores da Bolívia? Todas as perguntas carregadas de pesar. Morreu em mim mais um pouco do meu interesse pelo mundo real, e o metafísico tampouco me agrada. Estudar é contraproducente no capitalismo, eu me lembro que deveria estar fazendo dinheiro, já diriam os americanos, make money. Sem tempo para ler, sem tempo para escrever, sem tempo para criar, só tenho tempo para produzir mais lixo eletrônico - e meus bicos de trabalho me dão mais custos que ganhos. Venderão meus livros o suficiente? Seria mais fácil ter uma editora e não me preocupar com isso, mas tenho tempo para procurar uma editora? Minha falta de tempo é desorganização ou é inevitável? 

As palavras digitais são fantasmas, ecos das palavras de verdade. Apenas no papel persiste a verdade e isto aqui mais parece com os delírios de um louco, os surtos de um Ghoul com problemas de coluna e calvície. Até logo e que os céus clareiem sob uma brisa fria, a última dessa era.

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Cowboy Bebop - Análise, crítica e um pouco de melancolia

 Eu nunca tinha visto Cowboy Bebop até entrar no catálogo da Netflix. A história é um desses marcos culturais que todo mundo ouve falar vez ou outra nas rodas de conversa, mas que até ter esse acesse facilitado pelas megacorporações de entretenimento sem criatividade para criar propriedade intelectual nova, na necessidade de reaproveitar o que já funcionou uma vez e pode vender de novo, apenas os dedicados e capazes de piratear tinham acesso. A frase acima ficou enorme. Eu tenho esse problema com minhas introduções. Vamos ao que interessa. Cowboy Bebop é, em resumo, a história de Spike Spiegel, um cowboy - caçador de recompensas - que atua no nosso sistema solar atrás de criminosos e gente da pior espécie. Ao lado dele, o piloto e dono da nave Bebop, Jet, um ex-policial que atuava em Europa e que abandonou a corporação depois de alguns anos e eventos em seu passado.  Depois, junta-se à dupla a criminosa Faye Valentine, gatuna que roda o sistema solar atrás de dinheiro fácil, o...

One Piece - Resumo, crítica e análise de todas as temporadas [em ordem cronológica - em construção]

 Eu assumi comigo esse desafio insano e vou cumprir pouco a pouco. Conforme eu for relembrando as sagas pelo anime, visto que já comecei a ler tem mais de oito anos, vou atualizando aqui esse raciocínio.  Para não enrolar muito algo que já vai ficar imenso, vamos lá. Resumo de One Piece Luffy D. Monkey é um jovem que aspira ser o Rei dos Piratas e para isso sai para os mares em busca do grande tesouro deixado pela lenda suprema da pirataria Roger D. Gol. Luffy comeu a Gomu Gomu no Mi, a fruta do diabo que o transformou em um homem borracha incapaz de nadar. Tendo nada além de um sonho e a capacidade de esticar o próprio corpo em várias formas, o jovem sai pelos mares atrás do One Piece - o tesouro de Roger que irá coroar quem o encontrar como o próximo Rei dos Piratas. No geral, a história vai por aí: pirata que estica roda pelos mares. Vamos agora aos detalhes e minúcias.  Crítica da Saga East Blue East Blue é a primeira saga de One Piece e trata, em termos narrativos, d...

Como escrever um livro #9: Como estruturar um capítulo de livro

O que é um capítulo? Quantas páginas tem que ter um capítulo? Para que serve um capítulo? Mil e uma maneiras de escrever um capítulo por um sujeito que já usou de três delas para três projetos diferentes. O que é um capítulo? Essencialmente, o capítulo é uma divisão narrativa utilizada para oferecer uma quebra na dinâmica do enredo atendendo a algum objetivo e dividindo tematicamente a história.  É uma mini-história dentro da história que dialoga com o resto da narrativa complementando-a diretamente ou indiretamente.  O capítulo é uma subpasta dentro de uma pasta maior, onde pode encontrar uma situação específica: fulano vai a tal lugar, um problema no mercado, pintando as paredes da casa, enfrentando o gladiador da Espanha, etc.  Quantas páginas tem que ter um capítulo? Quantas forem necessárias para sua história. O que costuma ocorrer, na verdade, é autores escolherem uma média de páginas e se manterem nelas ao longo de um mesmo livro. Isso gera conformidade para o leit...