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Mais uma manhã iniciada sob um céu fuliginoso enquanto todos fingem estar tudo bem. Somos a última geração de uma Terra Fértil. Inverno de 30° e preciso ouvir que está tudo bem. Dou a largada nas horas comerciais do dia dentro de mais uma clínica ortopédica, sou o paciente mais novo por uma margem de vinte anos. Dessa vez, nenhum problema na coluna, mas no pulso, outra vítima infeliz de minha vida sedentária presa ao meu escritório improvisado dentro do quarto. Os prejuízos dessa empreitada já são muitos, a expectativa já não é positiva há anos. Me resta aceitar o caminho escolhido e trilhá-lo com resignação e inteligência para amenizar os danos.
Na clínica, seguem a mesma procissão de sempre: marcam às 9h, me atendem quando querem. Ai de mim chegar atrasado, mas a eles nenhuma forma de reclamar. O Brasil de castas é estruturado em impunidade, se começarmos a cumprir a justiça, destruiremos a base de nossa sociedade.
Análises rasas de um sujeito permanentemente cansado e sobrecarregado. Eu queria que a vida fosse um JRPG de céu azul, com missões claras e uma progressão compreensível. No lugar, jogos de mundo aberto com sistema de microtransações limitando o alcance de nossa exploração.
Ontem, vi uma apresentação na faculdade de dois representantes do povo Puri de São Paulo. Minha amiga organizou um evento na cidade para troca de saberes. Acidentalmente, assisti à conclusão desse evento - não pude prestigiá-lo porque mal parei quieto para gozar dos frutos da minha sociabilidade nessas últimas semanas. Nem mesmo o lançamento do meu livro me permitiu conversar com as pessoas.
Agosto foi um mês horrível. Que o que há de mal não piore.