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Set e BRK Mallone preparam show de lançamento no Cine Theatro Central para seu novo álbum, Complexo Guache

 << Set e BRK Mallone preparam show de lançamento no dia 2 de Maio às 18:30h para celebrar o lançamento do álbum Complexo Guache que sai oficialmente em todas as plataformas digitais no dia 30 de Abril. 

Rede Social dos artistas: @setsemmc e @brkmallone

Foto por João Paulo Brum

O Complexo Guache é uma obra intimista que une emoções, modernidade e relacionamentos através das cores, como um processo sinestésico de associação entre determinados padrões: o Verde Online das redes sociais, o cinza dos cigarros e dos perfis silenciados, o azul de um céu imenso prometendo liberdade etc.

Este é o terceiro álbum de Set, que lançou recentemente 20 Anos Nunca Mais e teve como primeiro álbum Invernia, ainda em 2018. O Complexo Guache teve como divulgação, até o momento, os singles Aquele Azul e Solar (faixa bônus associada ao projeto). 


BRK Mallone é companheiro de voz no projeto e também retorna aos palcos após uma pausa breve durante a pandemia. Juntos, os dois artistas criaram um álbum que passa por cores, sentimentos, relacionamentos e analisa a modernidade sob um olhar crítico e, ao mesmo tempo, poético.

Essa não é a primeira colaboração entre Set e BRK Mallone, que já lançaram antes alguns sons juntos: Ela Sabe (em colaboração com outros nomes da cena juizforana como RT Mallone e Jovem Saga) e Running (que aqui vale destacar minha edição do vídeo para o YouTube). 


Os dois, agora, neste projeto longo, preparam um show de lançamento que promete unir todos os conceitos do álbum em uma abordagem intimista nos palcos do Cine Theatro Central. A entrada é gratuita para o show no dia 2 de Maio de 2023 às 18:30h. 

Decidi bater um papo com o Set e falar um pouco sobre esse projeto. 

>> Pode começar explicando de onde veio a ideia do Complexo Guache?

Bom, a ideia do [Complexo] Guache veio de um momento da minha vida que eu tava tratando de depressão. Coincidentemente, fui assistir uma aula que tinha que falar de suas sensações a respeito da cidade, eu acredito, e nessa aula teve uma menina que subiu no palco que falou algo assim: “Ah eu gosto de cor, e aqui é tudo tão cinza”. Eu fiquei muito marcado com esse depoimento dela. Fui pra casa e comecei a pensar que aquilo de certa forma foi sinestésico pra mim. Aquele cinza que ela falou que circulava na cidade, eu quase pude sentir ele. Tanto que tem uma música que chama “O Gosto do Cinza” no Guache. Então, eu resolvi mergulhar de vez nessa ideia, tanto que eu decidi pegar o que é sinestésico das cores com a nossa vida. E porque eu tava me sentindo bem cinza, decidi fazer um álbum pra colorir mais a minha vida e a vida de quem estivesse ouvindo.

>> Quais foram suas principais inspirações para execução do álbum? E o que você acha que trouxe de novo para além desse conceito?

Até por esses motivos [depressão] e tal, de complexo ser um nome dado a algumas condições médicas, mas também por ser uma palavra que significa uma coisa múltipla e difícil de entender, como nós somos difíceis de entender como seres humanos com nossos sentimentos. E Guache veio das tintas que sempre tive contato quando criança, até pela memória afetiva. Eu resolvi chamar de Complexo Guache tudo isso, dando esses jogos de sentido, como você sabe bem eu gosto de brincar com o sentido das coisas.

Agora, cara, assim, as minhas inspirações nas letras e melodia é difícil até de buscar, porque eu puxo de muita coisa e nesse CD eu quis buscar um pouco de cada coisa. Até porque eu queria me ouvir em ritmos diferentes, falando de coisas diferentes. A minha proposta era trazer alegria de certa forma, então eu fui atrás de fazer música de uma forma diferente. 

Acho que essa ideia de chamar o BRK para participar de todas as faixas para compor essa coisa do álbum collab, na época, tava em alta e tinha saído um álbum do Travis com Migos, e também o Kids See Ghosts com o Kanye e Kid Cudi, que é a principal referência. Depois eu fui vendo que isso acontece na arte, essa coisa de trabalhar colaborativamente.

Capa por Takashi Murakami para o álbum Kids See Ghosts de Kanye West e Kid Cudi.

>> Você sente que faltou alguma cor no Complexo Guache?

Acho que não, acho que eu cumpri as principais cores assim que eu me previa, que eu via a minha volta assim, porque tem uma coisa rotineira nesse trampo assim que é bem pessoal, são coisas que me cercam que estão nela. Eu ainda não senti falta de nenhuma cor que esteja nele [o Complexo Guache] assim. Talvez rosa, talvez, mas mais porque não tem. Eu me apeguei às cores básicas do arco-íris, gosto muito de puxar do natural. E tem cores que são mais de jogar com o sentido amplo da sinestesia, o amarelo para cada pessoa pode lembrar uma coisa, assim como o verde, como o azul e isso tá presente no trampo também.

>> A sinestesia possui esse aspecto de assimilação entre cores e sons, sentimentos e cheiros… é, de maneira resumida, um cruzamento de sentidos, memórias, referências. No que você pensa quando lembra do Complexo Guache?

Isso é curioso. Eu tenho sensações muito intactas de quando escrevi o Guache, especialmente com Aquele Azul, que foi a primeira música que escrevi. Eu lembro direitinho da sensação de como o azul do céu tava entrando na minha vista, como eu tava pensando que tudo era enorme e nosso olhar não compreende as coisas. Eu queria passar essa sensação de imensidão assim. Então eu lembro muito dessa sensação, mas num geral esse CD tem uma sensação muito nostálgica, ele é um registro muito fiel de um cara que eu já fui. Algumas coisas já mudaram, mas é muito nostálgico.

Queria te dar uma resposta melhor, mas a sensação que o Guache me dá é literalmente de colorir a minha vida. Acho que ele marca a minha história por isso. O ato de fazer ele também fez com que eu conseguisse colorir minha vida, que é o objetivo dele. Isso é nostálgico porque me lembra literalmente o ato de colorir, sabe? Pegar uma coisa preta-e-branca ou sem cor e pirar. Quando você é criança e vai colorir, às vezes as cores nem combinam, é um ato livre, criativo. Acho que mexer com as cores é uma coisa artística, né?

Essa foto não tem relação direta com o artigo, é mais para descansar os olhos da leitura. Foto por Aaron Burden no Unsplash.

>> Eu sei que o Complexo Guache foi idealizado e produzido muito antes da sua data de lançamento, o que mudou para você como artista desde o início?

Mano, essa pergunta é muito doida, mas muita coisa mudou. Tudo mudou pra mim desde que escrevi o CD, minha vida mudou muito. Eu fiquei um tempo sem produzir, sem rede social, mudei minha forma de enxergar várias coisas, mas acho que ele é uma boa base pra lembrar o caminho que tô seguindo, pra eu entender que degrau que ele é nisso no que eu tô tentando atingir, que é falar cada vez mais as coisas que as pessoas tem medo de falar, que tem medo de expressar e que tem medo de que só elas sintam isso. Eu quero falar cada vez mais disso, mas pra isso eu preciso trabalhar o meu interno também, pra tocar as pessoas. 

Muita coisa mudou. Se eu pudesse, lançaria ele de forma diferente também, porque a gente é muito jovem e a nossa cabeça vai mudando muito rápido, a gente aprende muitas coisas, ainda mais quando a gente é artista independente assim, fora do game, fora de ter equipe, ter gente te ajudando, te ensinando. Então você sempre aprende uma coisa diferente. Então, eu faria coisas diferentes com ele, [o Guache] sairia diferente hoje em dia. 

Mas, de forma mais direta, acho que o jeito que eu vejo o público mudou, a minha forma de escrever mudou, pra melhor eu acredito, o Guache já mostra uma evolução, mas acho que isso já melhorou também. Eu acho que tô mais maduro também, como artista, pra entender como algumas coisas funcionam.

>> Quais são suas expectativas para o show de lançamento?

Cara, minha expectativa pra esse show é que seja algo diferente. Eu tenho na minha mente que o show de rap hoje em dia o cara vai lá, muitas vezes canta com playback… [risos] Pô, essas aspas vão parecer otarisse, mas é verdade. O cara vai cantar as músicas mais estouradas, que a galera vai curtir mais, beber mais, pular mais, abstrair e não pensar tanto. É uma coisa bem de entretenimento, bem de show, e a minha expectativa com esse show é que ele seja mais teatral, mais no diálogo. Eu quero realmente falar com as pessoas sobre o que tô escrevendo e porque é importante.

Esse palco no Central, essa vibe diferente, pode ajudar bastante isso que a gente tá tentando fazer, mas não quer dizer que não vai ter música pra dançar e pular, a gente pretende e quer é provocar um pouco de reflexão assim - tocar em alguns temas legais, atuais, que muitas vezes não são tão fáceis e imediatos. E que as pessoas entendam que somos artistas que falam disso e é uma coisa nossa, mas a expectativa também é que faça o CD rodar bastante, que traga mais shows, porque eu quero fazer mais shows, cantar, conhecer outros lugares, levar essa música para outros lugares, falar com pessoas diferentes que não tão no meu ciclo. 

A gente quer levar alegria também, levar conhecimento, trocar informação. A gente quer fazer uma troca de saberes misturada com rap e com muita música e diversão e troca de ideia.

>> Como você pode descrever sua parceria com o BRK Mallone na execução desse projeto?

Minha parceria com o BRK foi muito natural. Ele começou a ter ideia assim que ele começou a ouvir meus versos e sacar o que eu tava falando. Então foi muito orgânico. A gente se encontrava e não precisava se esforçar pra escrever os sons, saía natural. A gente trocava ideia, tomava uma cerveja, fumava um, e a gente começou a pirar em várias dessas ideias. Tudo que eu fiz que eu já tinha pensado era com as cores, que eu já queria falar assim, que já tinha umas metáforas mais claras. Ele trouxe algumas também, mas tudo a gente fez de forma bem conjunta.

>> Qual sua faixa favorita do álbum e por que as pessoas deveriam ouvir ela com mais atenção?

Cara, escolher uma só é bem difícil, esse CD é muito bom e tem várias músicas fortes com cores impactantes, mas só pra citar assim eu gosto muito de Vermelho Sangue, acho que é uma música muito boa, O Gosto do Cinza… Ipês é uma das música mais bonitas que já escrevi, mas a que quero destacar é Verde Online porque eu acho… eu tô falando “eu acho” um monte de coisa, “eu acho”… eu acho coisa pacarai [risos] Mas Verde Online pra mim alinha muito bem uma música dançante com um tema importante, sabe? E eu acho que é isso: você pode escutar ela várias e várias vezes. Dá pra ir captando várias ideias que a gente tá dando, e ainda sair dançando assim. Isso é muito legal e muito difícil de conseguir fazer.

>> Há algum último comentário que gostaria de deixar para quem estiver lendo este artigo?

Acho que só falar pras pessoas que escutem o Complexo Guache. Se você acha que tem uma vida colorida, escuta o Complexo Guache; se você tá precisando colorir sua vida, espero que o Guache te ajude. O Guache é divertido, é também pra sofrer, ele encaixa em várias situações. Pode ouvir correndo, malhando, em casa, com os amigos… é muito versátil. Tem uma cor pra tudo, tem um espacinho pra tudo, assim como nossa vida tem um momento pra tudo. Então escutem com o coração aberto e vão até o show no Cine Theatro Central no dia 2 de Maio, às 18:30h, pra que a gente possa fazer essa grande festa lá dentro. Levar o rap lá pra dentro, falar sobre várias coisas e se divertir junto.

E também escutar meus outros sons, porque eu já venho dessa linha de falar de sentimentos de pessoas, de levar um pouco disso. Então é só olhar minhas redes sociais e do BRK Mallone. Então, se você também quer sentir, quer falar de sentimentos, quer ser livre, tem que vir com a gente e prestar atenção no que a gente tá fazendo. É isto, muito obrigado. 


Complexo Guache tem lançamento previsto para todas as plataformas digitais no dia 30 de Abril de 2023. 

Antes do álbum, Set havia lançado Vinte Anos Nunca Mais, outro projeto de maior escala em parceria com ALIBI.


BRK Mallone lançou recentemente o seu EP Histórias que Nunca Contei.


Observação: Por razões estéticas a resposta do entrevistado foi mantida similar ao discurso original oral. 

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