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Cenário Homebrew Pathfinder 2e - Queda da Bauléria #1: A chegada da Aliança ao continente de Solárea

 O sol brilhava forte quando as primeiras embarcações da Aliança chegaram às praias verdejantes do continente que passaria a se chamar Solárea. Os historiadores no barco contam dos gritos e vivas quando os primeiros marinheiros e exploradores botaram seus pés na areia branca e fofa de Beláguas. Dos galeões e naus saíram humanos, gnomos e anões buscando uma nova terra para chamarem de sua. 

Aqui, interromperemos brevemente nossa história para falar sobre esses povos. 

Os humanos pareciam sortidos, embalados em um saco e misturados nas enormes embarcações à vela. Posteriormente, viriam a adotar um novo título, Solarios, em concordância com o novo continente. Distinguem-se dos outros humanos de Golarion por sua pele com pequenas manchas douradas ou prateadas, ainda que apresentem todas as outras características de seus antepassados. 

Os gnomos, por outro lado, buscavam uma forma de fugir de sua maldição de descoloramento. Encontraram-na, em um relato que aqui não cabe, mas acabaram recebendo outra sina: o apagamento. Os gnomos de Solárea todos emitem uma luz leve e dourada, renomeados Pirilampos, mas quando estão próximos de morrer ficam opacos e apagados. Grandes magos tentaram estudar as razões para essa nova maldição, mas sem sucesso em sua busca. 

Os anões, por fim, eram os mais distintos dentro da Aliança. Tendo ascendido em direção à superfície, alguns poucos clãs mais sedentos por aventura se uniram à empreitada, ainda que todos os anões afundassem como pedras quando caíam no mar. Esses clãs que sobreviveram ao oceano azul profundo e pisaram em Solárea se tornaram então os Anões Marfim. Desenvolveram, por baixo de suas barbas, imensos dentes (ou chifres) que ornamentam e usam para combate.

Todos esses três povos não sabiam o que esperar ao chegar em Solárea. Nem sequer tinham expectativas. Armaram seus primeiros acampamentos, desmancharam as navegações para aproveitar os recursos e assumiram, com isso, um pacto de jamais retornarem a suas terras ancestrais. Na primeira noite, escreveram alguns poetas, todos ficaram em silêncio para conhecer os sons do novo lar. Entre o ritmo constante das ondas quebrando na praia e o vento agitando a copa das árvores, aprenderam a identificar pássaros, mamíferos e o som das folhas balançando. Nos primeiros dias, perscrutaram toda a faixa de areia para aprender mais sobre aquele local. Caçaram, colheram e catalogaram tudo ao alcance. O líder dos humanos, Alvo Segundo Fórias, guiou a primeira expedição para dentro das florestas ancestrais do continente. O plano, segundo os relatos sobreviventes daquele período, era conseguir achar uma fonte de água limpa para começar a fundação de uma cidade. Haviam, ao todo, cerca de 8000 recém-chegados ao continente: muitas bocas para alimentar e gerenciar à beira-mar. 

Alvo liderou 80 de seus melhores exploradores, incluindo sua futura esposa, Augéria Belarios, por entre a mata densa e fechada. A sorte dos colonizadores foi chegar no inverno, quando as temperaturas na costa não eram tão altas. Tivessem atrasado seis meses e estariam desidratados, largados nas faixas de areia das praias sem saber o que fazer para aliviar a sensação sufocante do sol naquele lugar. Um clérigo anotou em seu diário que "O comandante Fórias parecia confiante de que havíamos chegado a um continente e não uma ilhota, mas, ao mesmo tempo, temia esbarrar nos segredos daquele lugar. O sucesso de nossa empreitada dependia exclusivamente de nossa capacidade de antecipação aos desafios dessa terra." Esse relato foi escrito 4 anos após a expedição de Segundo, 3 anos antes de sua morte precoce em uma batalha contra aqueles que viriam a ser seus futuros inimigos. 

Durante a exploração, Augéria se afastou do grupo para estudar a vida local e acabou esbarrando em uma pequena vila abandonada de halflings. O pequeno povo, que em Solárea passou a ser chamado de Compradores, ouvia a aproximação dos humanos e se afastava temendo os desconhecidos. Augéria passou semanas tentando se aproximar dos Compradores. Ao finalmente estabelecer contato, usou de sua magia para conseguir se comunicar e, em pouco tempo, decidiu dar aquele nome aos pequeninos. Os halflings do continente eram ávidos por novidades e extremamente curiosos, ofereceram pilhas de riquezas, objetos e miudezas altamente elaboradas em troca das roupas, cinto, equipamento e diário da senhorita Belarios. Quiseram até mesmo pagar para estudar o corpo dela, segundo os diários da patrulheira. Diplomacia amigável em vista, os Compradores se tornaram o primeiro povo com quem a Aliança teve contato. Até por isso, foram um dos poucos a mudar de lado na Guerra de Rendição. 

O líder dos Compradores, Tut Noz-e-Ouro, guiou Augéria de volta a seu grupo, e foi recebido inicialmente com estranheza por Segundo. Os halflings de Solárea possuem a pele em três tons diferentes: negra e brilhante como azeviche, esverdeada como musgo bem hidratado ou pálida e iridescente como uma pérola. Além disso, os cabelos são curtos e ondulados, normalmente no mesmo tom da pele, com olhos sempre roxos ou vermelhos. Também são mais robustos que os halflings já conhecidos de Golarion, com maior peso e um pouco mais de altura. Tut comprou armas de fogo de Alvo e, em 5 anos, os Compradores já tinham a própria fabricação de armas. 

Ainda durante os primeiros meses da exploração, o grupo chegou ao cume do Monte Nebuloso, plantando lá uma bandeira para marcar os avanços consideráveis feitos até então. 

Foi ao descerem o Monte, após a nascente do Rio Cristal, que viram os primeiros Elfos Errantes.

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