Pular para o conteúdo principal

É o fim do tempo dos homens [de novo]

 Outro fim de ano. Mais um ciclo. Nenhum pensamento novo sobre a passagem do tempo, a renovação das estações que ficam cada vez mais quentes, ano após ano, graças às flutuações térmicas causadas no planeta pelo ser humano. Há dois momentos em que me ponho extremamente pessimista: meu aniversário e o Réveillon. Para meu azar, ambos ocorrem com um mês e meio de diferença. Até por isso, caminho pela terra como um espectro ranzinza e amargurado até que Janeiro renova minha vontade de participar da vida. 

O Natal, por outro lado, sempre me gerou um misto de sentimentos. De começo, aquela alegria infantil de esperar por presentes sob a árvore. Em seguida, um ressentimento pelas obrigações familiares de presença em ceias e a interminável conversa dos adultos sobre tudo, menos o que é realmente importante. Por fim, um sentimento mais novo, mais cético e mais delicado, a experiência de se ver dividindo amor e deslumbre com as pessoas que realmente importam - e não necessariamente a família. Isso, claro, é melhor descrito pelo Tim Minchin na música dele White Wine in the Sun. Ouça abaixo:


O Tim Minchin tem uma abordagem cética interessante sobre o Natal, ainda que levemente desatualizada para os novos tempos - em que o papel do cético é se por também como crítico e cínico sobre o mundo crédulo ao redor. Há uma sensibilidade inerentemente humana ampliada pela arte que bota esse conflito entre a tradição e o que é uma iconoclastia proposital dos símbolos religiosos e culturais sob uma outra lente. Não é sobre odiar o Natal por ser uma experiência cristã, ou aceitá-lo APESAR disso e ignorar os elementos que causam desconforto. Eu acho que é mais sobre entender que os rótulos da data significam tanto quanto atribuímos a eles e que sendo o suposto nascimento de Cristo ou não, é um dia para sentar sob o sol e beber vinho branco com os pais, irmãos, primos e tios. 

Indo para outro lado, em 2023 inicio meu Catarse para poder dedicar mais tempo e ter mais recursos para meus projetos artísticos. Isso inclui mais contos aqui no site, mais ilustrações, um podcast semanal, vídeos mensais na forma de documentários e uma série de outros investimentos. 

O Catarse é uma forma de enxergar um futuro na arte através da colaboração com uma base de pessoas interessadas no meu trabalho. Obviamente, não possuo um público amplo e este blog é a prova viva disso, mas também não sonho com um palácio construído do dia para a noite. Tenho expectativas e metas e vou trabalhar de acordo com a realidade e com os resultados mensais. 

O período de gestação desse projeto também foi importante. Desde 2020 estou inerte no meu trabalho e atraso diversos projetos para poder focar em estabilizar minha vida financeira - um novo emprego, uma nova rotina etc. Agora, tendo entendido minhas limitações e capacidades dentro de uma rotina em que uma parte das minhas horas está já comprometida, creio ter competência e sabedoria para dosar as horas do meu dia entre lazer e trabalho artístico nos momentos em que as obrigações rotineiras forem já cumpridas. 

Não digo que estou ansioso, porque evitarei criar expectativas demais para o próximo ano. É possível viver apenas um dia de cada vez e ainda assim sem enxergá-lo por completo do momento em que me desperto ao momento que durmo. No meu período de férias, vou usar a energia extra para fazer brilhar a fagulha do imenso incêndio que planejo. 

Vejo vocês em Janeiro (já que não faz sentido tentar falar com as pessoas durante o fim do ano).

As mais charmosas deste blog

Cowboy Bebop - Análise, crítica e um pouco de melancolia

 Eu nunca tinha visto Cowboy Bebop até entrar no catálogo da Netflix. A história é um desses marcos culturais que todo mundo ouve falar vez ou outra nas rodas de conversa, mas que até ter esse acesse facilitado pelas megacorporações de entretenimento sem criatividade para criar propriedade intelectual nova, na necessidade de reaproveitar o que já funcionou uma vez e pode vender de novo, apenas os dedicados e capazes de piratear tinham acesso. A frase acima ficou enorme. Eu tenho esse problema com minhas introduções. Vamos ao que interessa. Cowboy Bebop é, em resumo, a história de Spike Spiegel, um cowboy - caçador de recompensas - que atua no nosso sistema solar atrás de criminosos e gente da pior espécie. Ao lado dele, o piloto e dono da nave Bebop, Jet, um ex-policial que atuava em Europa e que abandonou a corporação depois de alguns anos e eventos em seu passado.  Depois, junta-se à dupla a criminosa Faye Valentine, gatuna que roda o sistema solar atrás de dinheiro fácil, o...

One Piece - Resumo, crítica e análise de todas as temporadas [em ordem cronológica - em construção]

 Eu assumi comigo esse desafio insano e vou cumprir pouco a pouco. Conforme eu for relembrando as sagas pelo anime, visto que já comecei a ler tem mais de oito anos, vou atualizando aqui esse raciocínio.  Para não enrolar muito algo que já vai ficar imenso, vamos lá. Resumo de One Piece Luffy D. Monkey é um jovem que aspira ser o Rei dos Piratas e para isso sai para os mares em busca do grande tesouro deixado pela lenda suprema da pirataria Roger D. Gol. Luffy comeu a Gomu Gomu no Mi, a fruta do diabo que o transformou em um homem borracha incapaz de nadar. Tendo nada além de um sonho e a capacidade de esticar o próprio corpo em várias formas, o jovem sai pelos mares atrás do One Piece - o tesouro de Roger que irá coroar quem o encontrar como o próximo Rei dos Piratas. No geral, a história vai por aí: pirata que estica roda pelos mares. Vamos agora aos detalhes e minúcias.  Crítica da Saga East Blue East Blue é a primeira saga de One Piece e trata, em termos narrativos, d...

Como escrever um livro #9: Como estruturar um capítulo de livro

O que é um capítulo? Quantas páginas tem que ter um capítulo? Para que serve um capítulo? Mil e uma maneiras de escrever um capítulo por um sujeito que já usou de três delas para três projetos diferentes. O que é um capítulo? Essencialmente, o capítulo é uma divisão narrativa utilizada para oferecer uma quebra na dinâmica do enredo atendendo a algum objetivo e dividindo tematicamente a história.  É uma mini-história dentro da história que dialoga com o resto da narrativa complementando-a diretamente ou indiretamente.  O capítulo é uma subpasta dentro de uma pasta maior, onde pode encontrar uma situação específica: fulano vai a tal lugar, um problema no mercado, pintando as paredes da casa, enfrentando o gladiador da Espanha, etc.  Quantas páginas tem que ter um capítulo? Quantas forem necessárias para sua história. O que costuma ocorrer, na verdade, é autores escolherem uma média de páginas e se manterem nelas ao longo de um mesmo livro. Isso gera conformidade para o leit...