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O anime da vez é uma comédia. Eu prometi não falar mais sobre animes. Mas aquele texto anterior é antigo e só foi finalizado há pouco.
A verdade é que, enquanto gênero literário, o mangá (ou o anime, caso prefira ver), funciona muito bem para análises. O Japão é altamente prolífico no número de produções, e é possível encontrar de tudo.
Entra aí Grand Blue Dreaming. Um Slice of Life (gênero de histórias de cotidiano) de comédia sobre um universitário, Iori Kitahara, que vai estudar engenharia em uma cidade litorânea. O que fica entre ele e uma vida de estudos? O clube de mergulho cuja sede é a casa e loja do tio de Kitahara.
Basicamente, a rotina de Kitahara passa a ser ingerir muito álcool, arrancar a roupa em público, sofrer na faculdade e lutar contra o destino inefável que lhe nega uma namorada.
Eu não brinco quando digo que meus semestres como estudante de jornalismo foram MUITO parecidos com isso (sim, arrancar a roupa está incluso).
O mais interessante da série - além de prometer um enredo sobre mergulhos e só entregar nos últimos episódios - é como a rotina universitária é tratada de maneira completamente normal.
Não há um conservadorismo patético que tenta negar e invalidar as experiências muitas vezes estúpidas e cômicas do grupo de mergulho. Tudo isso faz parte e está atrelado à rotina dos rapazes (e garotas) do clube.
Para quem vê depois da faculdade (eu abandonei a minha), Grand Blue Dreaming é como sentar numa mesa com os amigos e relembrar os momentos mais divertidos e excessivos daqueles anos de estudos e sociabilidade recorrentemente pareada por álcool e festas.
E, assim como em uma mesa de bar, há uma suspensão de julgamento sobre a necessidade das experiências. Ser jovem é, por excelência, aprender através do erro. Negar a uma geração a chance de errar é impedir que acertem pelos motivos corretos - que tenham méritos em suas conquistas.
Dentro disso, claro, existem outros temas que poderiam ser abordados: o conservadorismo cristão brasileiro na maneira como muitos jovens são criados dentro de casa, privados de uma coabitação social com seus pares e inseridos em um sistema que os culpa por serem humanos no sentido mais puro da palavra (não podem desejar, não podem agir, não podem experimentar); e outros até, mas esse deveria ser um review de anime, e não uma análise sociológica feita às pressas.
De volta à Grand Blue Dreaming.
É um anime engraçado se o seu senso de humor incluir piadas de nudez masculina, vômito, humilhação pública por excesso de álcool e os absurdos da juventude.
Antes que você me interrompa, voz cheia de indignação, perguntando como pode algo assim não diminuir a própria história: a narrativa é o que é. Iori e Kouhei Iamamura (amigo do protagonista que é um otaku dedicado e apaixonado) vivem suas aventuras e em nenhum momento são privados de suas experiências. O tio de Iori, Toshio Kotegawa, até incentiva o rapaz a participar das atividades do clube e se soltar socialmente. É entendido que essa vivência universitária faz parte - tanto os erros (vastos) quanto os acertos (raros).
Sobre o adeus a Guy Sensei - não fizeram-no justiça ao final de Naruto Shippuden e menos ainda em Boruto.
