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Ok, a minha temporada otaku está chegando ao fim, já que One Piece, na Netflix, sugou todo meu foco sobre o tema e agora outras necessidades vieram.
Contudo, antes de abandonar essa ilha por mais alguns meses, eu irei fazer considerações sobre as obras que vi, analisar alguns elementos de roteiro (então vão rolar alguns spoilers) e mais outros detalhes.
Eu vou começar com a última obra que finalizei nesses meses passados, que é After Rain.
A série de 13 episódios conta a história de uma estudante do ensino médio e ex-atleta que, após uma lesão, passa a trabalhar em um café no seu tempo livre.
No primeiro episódio, descobrimos que ela é apaixonada pelo seu gerente, um sujeito de 45 anos que parece mais atrapalhado e perdido do que a menina, a jovem Akira Tachibana.
O que, para meu horror, parecia ser uma história de romance entre uma adolescente e um sujeito já caminhando para a meia-idade, torna-se então um relato sobre sonhos perdidos e o medo de seguir em frente.
Foi nesse ponto que a história me pegou. O gerente, Masami Kondou, é um homem gentil e preocupado com seu serviço, ele passa todo o tempo pedindo desculpas aos consumidores e demonstrando cuidado e carinho com sua equipe e com sua loja.
É, inclusive, através dessa dedicação ao serviço e esse cuidado no atendimento que ele primeiro se apresenta à jovem Tachibana, no dia em que ela estava voltando da fisioterapia, e que faz com que a estudante se apaixone.
A personalidade de Kondou é a do homem comum, um sujeito simples e sem grandes méritos ou habilidades impressionantes, mas seu carisma atrai pelo jeito leve usado com os outros personagens. Aos poucos, contudo, conforme a adolescente tenta, de maneira muito invasiva e eu diria até obsessiva em muitos aspectos, se aproximar de Masami, conhecemos um outro lado seu.
O gerente graduou-se em literatura, e tinha o sonho de seguir uma carreira literária, coisa que acabou abandonado ao formar família, casando e tendo um filho. No ponto da história quando o conhecemos, seu filho ainda está no fundamental e Kondou já é divorciado - em parte porque sua obsessão com a escrita o afastou da cônjuge.
Ele também possui um amigo que seguiu na carreira literária e alcançou certo sucesso. Isso, inclusive, faz com que Kondou, em certo ponto da narrativa, comece a reconsiderar sua apatia em relação à própria vida. O homem ama literatura, mas sente ter perdido a hora certa para investir em seu sonho. O que resta é uma casa cheia de livros e suas obrigações mundanas.
Tachibana, por outro lado, ressente-se de sua vida no atletismo, e tenta renegar ao passado com ódio, abrindo mão de amizades e de qualquer memória relacionada ao esporte. A adolescente não só repudia a atividade como tenta se encher de tarefas para se afastar cada vez mais de potenciais gatilhos. Em muitos aspectos, ela passa por um processo de luto, tendo muito claramente um sintoma de Negação em relação à própria lesão. Ela se recusa a realizar fisioterapia além da recomendada inicialmente, tratando-se apenas o suficiente para recuperar os movimentos, sem pensar em voltar ao esporte.
A história avança e o amor da menina acaba caindo em um vale de amizade. Masami Kondou consegue escapar das garras apaixonadas da funcionária e separa a relação dos dois em amizade. Através da insistência de Tachibana, ele recomeça a navegar pelo mundo da literatura, e ela, posteriormente, reencontra o amor que tinha no atletismo.
After Rain tem metáforas visuais muito óbvias (a chuva e o clima são elementos claros para a narrativa), mas possui um enredo cativante e um ritmo lento que agrada quem gosta de Slice of Life mais sutis.
Fica aqui a recomendação.


