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Masayoshi Takanaka (Lendário Guitarrista Japonês), Jazz Fusion, 1922, Romantismo de 1ª Geração, Globalização e mais

 Eu sei, eu sei. O título promete muitas coisas.

Vamos do começo então. 

Eu sou um sujeito obcecado com muitas coisa. Meus interesses variam enormemente e, quando algo toma minha atenção, fico meses só pensando nisso. Alguns temas duraram anos. Outros duraram poucas semanas. 

Masayoshi Takanaka com certeza vai cruzar desse ano para o próximo e, parafraseando o grande Buzz Lightyear, espero que daqui para o Infinito e Além. 

Mas quem é Masayoshi Takanaka? Em resumo, uma lenda viva da guitarra, um, hoje, senhor com por volta de seus 80 anos, mais de 20 discos próprios gravados, uma gravadora e um legado no Jazz Fusion e na prática da guitarra que são realmente extensos. 

Se você procurar por aí, como eu fiz, por álbuns de Jazz Fusion e City Pop japoneses dos anos 70, 80 e 90, verá a contribuição de Takanaka em muitos deles. O YouTube está cheio das obras do artista (enviadas ilegalmente, visto que o próprio canal dele não tem um álbum sequer), e o Spotify tem apenas 3 álbuns e uma Super Coleção com as principais músicas. 

O mais impressionante do Masayoshi, para mim, está na capacidade dele alterar os arranjos e mudar a forma como as músicas são estruturadas nos álbuns. Você tem versões acústicas, aceleradas, desaceleradas, bucólicas, dançantes das mesmas músicas, e todas soam originais e interessantes, mesmo que sejam, em teoria, "a mesma música". 

O Jazz Fusion em si é um estilo musical interessante, e o fato do Japão concentrar muitas obras no período dos anos 70/80 não é uma coincidência. 

Esse é o período em que o Japão explode comercialmente e começa a crescer em PIB. É a era de ouro para a indústria japonesa na produção de equipamentos eletrônicos, entre eles as guitarras elétricas, sintetizadores e outros elementos musicais que começam a entrar no mercado interno e, posteriormente, no mercado internacional. 

Até por isso o Jazz Fusion possui muitos elementos eletrônicos na composição, maior presença de guitarras e teclados sintetizadores, uma aura futurista que hoje nos remete ao crescimento otimista dos anos 80 em relação à tecnologia. 

Indo além do Jazz Fusion, o City Pop explora o conceito nos anos 80/90 com o ar de otimismo e reconstrução do país no período pós-Guerra, a expansão das cidades, o neon das grandes cidades, a forte presença comercial da indústria eletrônica japonesa ao redor do mundo... tudo isso explode de forma glamorosa no City Pop japonês tocando nas rádios. É tudo brilhante, forte, com grande otimismo. 

Plastic Love da Mariya Takeyushi se tornou uma sensação no Youtube nos anos recentes por recomendação do algoritmo e da forma como as pessoas consomem e interagem com coisas virais. Mas a música é um exemplo forte do City Pop japonês dos anos 80 e do período de otimismo da época. 

Mas o jazz não é um estilo musical que nasce no Japão, e os instrumentos e tecnologias desenvolvidas, muitos deles, são importados de outros países e refinados e melhorados pela indústria japonesa, que contava com mão de obra qualificada graças aos investimentos estrangeiros para a reconstrução do país. 

Ainda assim, o mercado japonês incorporou esses elementos e atribuiu a eles diversas características culturais nacionais. 

De maneira similar, em 1922, a Semana de Arte Moderna brasileira se propôs a romper com os paradigmas de arte vigentes no Brasil, em que muitos estilos ao redor de diversos campos artísticos distintos sustentavam ainda uma estética e personalidade europeia. É quando vem o conceito de antropofagia cultural que quase todo mundo já ouviu falar. Não se trata mais só de consumir, trata de consumir com a consciência de que determinados elementos podem e devem ser assimilados para a construção de uma identidade nacional sólida.

O Brasil enquanto Estado nacional plural em culturas peca enormemente na valorização e fomento dessa identidade diversa, muito em parte pela herança ocidental colonialista que prega pelo apagamento de culturas nativas indígenas e do impacto da cultura negra como um todo. Somado a esse problema, o imperialismo estadunidense do último século e as influências de Hollywood na nossa produção cultural têm afetado diretamente a maneira como enxergamos e produzimos arte. 

Uma ponte do passado com esse conceito está no romantismo de primeira geração no Brasil, marcado pelo discurso indianista fomentado pelo imperador brasileiro para apagar a herança cultural negra (cuja população em volume era maior que a população branca) e ressaltar os povos originários. Esse discurso indianista, contudo, trabalhava a imagem do indígena como herói romântico, com valores de vassalagem similares ao cavaleiros medievais e suas pelejas europeias. A produção não tinha o intuito de resguardar ou elevar a cultura indígena, mas apagar a verdadeira identidade dos povos, tão plurais e distintos entre si, para atender ao discurso colonial do império.

Mas isso é meio óbvio. Eu sinto que falo só obviedades nesse artigo. Então isso me desestimula a falar sobre como Macunaíma parodia essa percepção na narrativa e no formato (vocabulário em especial) ao criar um mito de formação nacional irônico e crítico dessas visões culturais.

Hoje, nossa percepção de criação e a maneira como pautamos tudo isso vai na dança da globalização e série de referências que nos é enviada, em especial dos países que ainda sustentam um controle hegemônico sobre nós pobres mortais latinamericanos. 

Nos anos 80, o nacionalismo japonês (nem sempre uma coisa boa) fomentou produtos culturais próprios e muito peculiares. 

Aqui no Brasil, nos anos 90, o Miami Bass, um subgênero de música negra e latina nascido, que incrível, em Miami, vem e se torna o funk.

Mas isso é outra história e me exigiria uma pesquisa e uma entrevista com quem entende mais do assunto.

O artigo de hoje fica por aqui. 

Agradeço a quem ficou até o final.

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