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Carta de Sábado #1: Esqueça a carta de sexta, ela ficou no passado - Família Addams, O Aprendiz de Caça-Feitiço e gorilas.
Por motivos de organização, a instituição anteriormente conhecida como carta de sexta foi sumariamente abandonada.
Isso quer dizer apenas que meu novo emprego vem me tomando minhas horas e energia mentais necessárias para desenvolver esse post semanal.
Contudo, cá estou eu, em pleno sábado, escrevendo em um blog (2020 e as pessoas ainda têm essa coragem). Honestamente, as coisas estão não muito boas pro meu lado e enquanto eu treino minha paciência para não matar um ou dois sujeitos, sigo a vida como posso.
Por isso, vamos às recomendações dessa semana.
Família Addams 1 e 2
Minha ideia era não fazer esse formato toda semana, mas deixa eu seguir com isso por enquanto. A Família Addams é um desses filmes interessantes de se analisar, especulando formatos e criando suposições por cima de maneira arrogante.
Façamos de conta que sou um crítico de cinema.
O filme apresenta os Addams como uma família "das trevas", é um conceito fundamentalmente cômico, pois os papéis familiares são representados sob uma estética gótica e "sombria". Ainda assim, todos aplicam suas funções como deve ser (e ainda melhor, se eu puder me adiantar).
As brigas entre irmãos de Wednesday e Pugsley são claras tentativas de homicídio entre as crianças, a avó Addams é uma velha bruxa louca que cozinha criaturas vivas, Cortez lança facas e vive uma vida vadia garantida pela riqueza eterna, Morticia é uma mãe presente sempre de olho nas crianças (e incentivando-as a seguirem seus desejos mais sombrios)...
O humor se garante no contraste entre os personagens mundanos inseridos nessa realidade e os Addams, deslocados dessa performance familiar estadunidense tradicional.
Cortez, enquanto marido, é apaixonado pela esposa, se declara a todo momento e permanece sempre interessado em Morticia. No segundo filme, quando o terceiro filho dos Addams nasce, ele incentiva a esposa a ter um tempo para si e para seus projetos pessoais, procurando uma babá para ajudar a desafogá-la de suas funções domésticas e seguir focada em satanismo, maldições e na maculação da Terra.
Curiosamente, o personagem, que deveria ser um ser maligno, parece representar um ideal de paternidade mais positivo do que o de muitos outros filmes estadunidenses. Normalmente, sejam comédias ou dramas, os pais são desinteressados ou até mesmo agressivos com sua prole.
O mesmo vale para Morticia, que longe de ser apenas uma figura de enfeite e suporte para Gomez, navega as narrativas de ambos os filmes impondo seus próprios desejos e comentários ao longo da trama.
Os filmes permitem essas especulações e, claro, são bem engraçados. Recomendo.
O Aprendiz de Caça-Feitiço
Falando em livros que viraram filmes horríveis, temos O Aprendiz de Caça-Feitiço. Além de ser uma série de livros cuja qualidade cai absurdamente a partir do terceiro (e são uns oito), é também uma abordagem interessante em dark fantasy.
Pense em um The Witcher com ainda menos glamour, essa é a ambientação, uma Inglaterra perdida para as forças do mal e para o medo.
O que começa como uma exploração de um jovem pelos ofícios de caça-feitiço, um mercenário que lida com as criaturas malignas que habitam o mundo, depois extrapola para viagens interdimensionais e uma série de erros que prefiro não comentar.
Os primeiros livros, contudo, lidam com a ambientação de terror e aventura numa forma balanceada, e garantem uma boa leitura. É infanto-juvenil, mas a perseguição sob a luz da lua enquanto Mãe Malkin persegue o jovem Tom tem um teor adulto em termos de estrutura e tensão que não foram aproveitados no filme.

