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Ilustração por Alexander Petrov
Resumo do livro O Velho e o Mar
Essencialmente, é a história de um pescador cubano que se depara com um peixe gigante, e sua subsequente batalha para fisgar a criatura. Ernest Hemingway constrói nessa narrativa de dois personagens, o velho e o peixe, uma relação íntima durante o embate, na medida em que o pescador se solidariza cada vez mais com o animal ao longo dos dias de pesca.
Análise do livro O Velho e o Mar
Enquanto não há muito sobre o que falar em termos de resumo, já que a primeira vista essa parece uma história simplista, O Velho e o Mar levanta diversas considerações e análises passíveis de serem colocadas nesse artigo.
A primeira delas é a de que Hemingway, de certa forma, se utiliza de arquétipos narrativos mitológicos para construir o duelo entre homem e criatura.
O cerne da narrativa se dá não apenas pelo embate, mas pelo que está em risco. No início da história, somos apresentados a este velho e pobre pescador, que depende dos cuidados e da consideração de um jovem que o ajuda muitas vezes com sua alimentação, contas etc.
No momento em que o pescador se vê pela primeira vez diante do peixe-espada, ele se depara com uma oportunidade única de transformação na vida, uma chance de ver sua sorte mudar, e o leitor se engaja na história ao entender o significado da batalha.
Há muitas coisas em risco ali para o pescador, mas a grande sacada de Hemingway, ao meu ver, se mostra ao longo da narrativa.
Conforme as horas e dias passam, e o ancião cubano segue em sua luta, impassível diante da criatura, um vínculo entre os dois começa a ser criado, não de maneira direta, como se houvesse de fato um contato emocional entre ambos, mas a luta pela vida, dos dois lados da linha, une aquelas criaturas tão improváveis em um ponto.
É brutal o embate entre os dois e, ao final, nenhum deles sai vitorioso.
O peixe morre de cansaço e o pescador não é capaz de ver prazer no ato, já que o laço criado durante a pesca se rompe após o final do embate e ele se vê vazio, enfrentando tubarões e outros peixes carnívoros que devoram o peixe-espada antes de chegarem às praias de Cuba novamente.
Esse final demonstra, outra vez, uma perspectiva trágica muito similar aos mitos gregos, onde o herói, ao se sobressair, também perde muitas coisas na jornada. Não há glória absoluta, ainda que tenha sido capaz de se superar.
Há um certo balanço na narrativa, não se vê um final feliz e, enquanto o pescador vai dormir solitário em seu barraco, no mesmo estado econômico que se encontrava antes, internamente, muitas mudanças ocorreram.
É essa simplicidade a primeira vista que, depois de uma leitura mais cuidadosa, demonstra o valor da obra ao longo das décadas, sua persistência no imaginário popular e seu valor enquanto material de leitura. Livro fundamental na sua estante.
