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As Vinhas da Ira - por John Steinbeck

Resumo do livro As Vinhas da Ira

Acompanhamos a vida de uma família norte-americana oriunda do sul do país que, diante do Dust Bowl e da crise econômica de 1929, precisa migrar em busca de melhores condições de vida.

O livro é um retrato da vida do produtor rural nesse período, muitas vezes fazendo digressões em capítulos mais generalistas, deixando de pôr nome nos personagens e, com isso, dando um ar universal àquelas experiências. 

A jornada da família começa quando o filho mais velho volta da prisão depois de ter assassinado um homem. 

Ao longo da jornada, entre perdas e conflitos, os Joad superam quilômetro atrás de quilômetro em busca do sonho da Califórnia, suas vinhas repletas de uvas e árvores carregadas de laranjas suculentas, só para encontrarem um estado sobrecarregado de migrantes, sem infraestrutura para receber todos eles, e com uma população e grandes fazendeiros contrários a esse novo movimento.

Análise do livro As Vinhas da Ira

Na minha recomendação prévia sobre o mesmo livro, eu fiz uma análise sobre como o livro é uma grande crítica ao sistema financeiro norte-americano e às políticas do governo da época para lidar com a situação. O Steinbeck, dos autores estudunidenses, é sem dúvidas aquele que apresenta o olhar mais crítico sobre o próprio país, e isso fica claro nas páginas de As Vinhas da Ira. 

Enquanto os Joan lutam para sobreviver, inúmeros personagens ao longo do caminho surgem para desafiar a família sobre suas convicções e desejos, pondo em cheque os sonhos de melhores condições de vida deles e, muitas vezes, tirando proveito da vulnerabilidade da família.

A história pode ser fundamentada ao redor de quatro personagens principais: Tom, Pai, Mãe e o reverendo Casy. 

Tom é o cerne e o núcleo de tomada de decisões da família, seu status como criminoso perdoado o põe em uma posição de poder diante dos parentes, é o mais determinado e adaptativo da família.

O Pai é a figura do patriarca rural tradicional, mas que se vê perdendo influência e ocupações, passando por uma crise de identidade. É a figura do homem branco diante de uma crise por uma mudança em seu ambiente. Seus paradigmas já não funcionam mais nesse novo mundo, sua palavra e seu legado servem para nada na estrada.

Daí, a figura da Mãe se faz fundamental. É ela quem alimenta, faz as contas e garante o bem-estar dos sogros, dos filhos mais novos, da filha grávida, de Tom, Al (o filho do meio), do marido, do reverendo, do genro e, no meio da história, de um casal que se une aos Joad em sua migração.

A Mãe é a vida da família, o núcleo de esperança para todos. Isso faz com que, no momento em que ela se sinta exausta, e todos passem a temer pelo destino da viagem.

A última figura, e talvez a mais interessante, é a do reverendo Casy, um homem que perdeu sua fé na palavra divina e que vaga sem rumo buscando uma melhor compreensão sobre o mundo dos homens.

Ao longo da narrativa, Casy vai questionando os valores da sociedade americana, em que acreditava tanto antes e, antes do fim, encontra novos valores… muito parecidos com os socialistas. 

É importante lembrar o contexto em que o livro é escrito. Em 1939, os Estados Unidos estavam começando a superar a crise de 29, à beira da Segunda Guerra Mundial. O mundo capitalista seguia em crise e o avanço da União Soviética era avassalador - novos ideais surgiam como uma alternativa a um sistema em crise. 

A figura do pastor Casy entra nesse contexto, longe de uma configuração política aberta e fixa, ele é apenas um homem diante de um mundo em ruínas na busca por outros valores. Considerando que esse é um livro tão antigo, vale dizer que a morte do reverendo é um dos pontos mais fortes do livro, em meio a uma briga com a polícia para expulsar um acampamento de migrantes de uma cidade. 

As Vinhas da Ira é uma narrativa desesperançosa, serve como um relato quase jornalístico sobre as dificuldades da época.

Ainda que mostre pouco a pouco os pequenos avanços da família Joad, demonstra também a impossibilidade de um futuro melhor do que a sobrevivência para esses pequenos produtores deslocados em meio a um sistema cruel e impessoal feito de bancos e imensas fazendas repletas de uvas e árvores carregadas de laranja sem ninguém para colher. É uma obra gigantesca, atual, e muito recomendada.

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